Regionais irão discutir com população a Segurança Alimentar

A partir de 2014, a discussão sobre Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) deverá ser levada às nove administrações regionais. Um pré-calendário para a realização de reuniões mensais foi discutido nesta quinta-feira (17) entre representantes das entidades participantes do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Comsea), vinculado à Secretaria Municipal de Abastecimento, das regionais e da sociedade civil organizada.

A reunião integrou a Semana Mundial da Alimentação, que se encerra nesta sexta-feira (18) e tem como objetivo debater e divulgar o programa de segurança alimentar.

A proposta é promover a descentralização das ações para levar aos bairros orientações sobre a questão e acompanhar o desenvolvimento regionalizado da política de segurança alimentar e nutricional no município. “Precisamos verificar se existem problemas de alimentação e nutrição em cada região e, a partir disso, propor, planejar e implementar novas políticas, como a instalação de equipamentos de abastecimento e a inclusão de pessoas em programas sociais desenvolvidos pela Secretaria Municipal de Abastecimento”, explica a nutricionista responsável pelo setor de Educação Alimentar da Secretaria e vice-presidente do Comsea, Silvia Rocha.

Insegurança Alimentar

O tema da segurança alimentar é amplo, desde a produção das sementes até o direito ao acesso a uma alimentação saudável, em quantidade suficiente e de forma permanente, entre outros aspectos. “Sempre faço questão de dizer que quando se fala em segurança alimentar é preciso falar também em insegurança alimentar. Todos nós passamos por algum tipo de insegurança”, afirmou a presidente do Comsea, Regina Maria Lang.

Segundo ela, a insegurança não ocorre apenas pela fome ou pela desnutrição, mas também pelo que se consome e é um direito de todos saber a procedência e a composição dos alimentos disponibilizados.

O desperdício de alimento foi outro dado apontado por Regina. Ela ressaltou que a cada 35 quilos de alimentos consumidos pelos brasileiros outros 37 quilos vão para o lixo, há desperdício da produção até a ponta final, na casa do consumidor. No país, 30% das crianças estão com excesso de peso, 11 milhões de brasileiros passam fome e, no mundo, a fome atinge 1 bilhão de pessoas. Esses são alguns dos fatores de insegurança alimentar e nutricional citados pela presidente do Comsea.

Regionalização  

“Acho importante levar as informações para a reflexão sobre a educação alimentar, é importante para a saúde e para a qualidade de vida. Esse tipo de discussão tem que ser democratizado, tem que estar na ponta, no bairro”, analisa a administradora da Regional Santa Felicidade, Maria José Serenato. A mesma opinião é a do administrador da Regional Bairro Novo, Pedro Clailton Pelanda, que já foi produtor de alimentos orgânicos e é engenheiro agrônomo.

Ele considera a ação de regionalização muito importante para difundir as informações junto à população e motivá-la a fazer uma alimentação mais adequada. Pelanda lembra que é possível produzir alimentos que possam compor a alimentação diária em pouco ou em espaços restritos, conforme orientam o técnicos do departamento de Agricultura Urbana da secretaria de Abastecimento. “A ação do conselho é muito importante, fazer as reuniões direcionadas ao público que mais necessita dessas orientações, com a colaboração das lideranças comunitárias”, afirmou o administrador.

Durante a reunião foi exposto ainda a necessidade de se criar a Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan), também previsto para o próximo ano. A criação do Caisan é necessária para a adesão do município ao Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).