Abordagem à população de rua será integrada

Uma reunião técnica promovida pela Fundação de Ação Social (FAS) com participação de representantes de diversas secretarias e órgãos da administração municipal ocorrida nesta quinta-feira (17) na Prefeitura de Curitiba definiu novas estratégias de atendimento à população de rua da capital, que passa a ter uma abordagem de intervenção integrada entre as políticas de assistência social com as demais, especialmente com as áreas da Saúde, Defesa Social e Direitos Humanos.

Com isso, entra em operação um novo modelo de equipe de abordagem social que contará não apenas com profissionais da assistência social, mas também das outras três áreas específicas, diretamente, e das demais, como Urbanismo, Abastecimento, Meio Ambiente e Urbs, no apoio.

“Temos um fluxo de população de rua aumentando e essa condição deve ser intensificada até fevereiro, quando devemos enfrentar o ápice da crise econômica. Isso ocasiona dificuldades na intervenção, que deve ser aprimorada”, afirmou o prefeito Gustavo Fruet na abertura da reunião.

“Um dos reflexos imediatos provocados pela crise é o aumento da população de rua migrante, que já temos detectado em nossas abordagens. Com a equipe multidisciplinar, temos formas de realizar um atendimento que amplia as possibilidades do morador de rua aceitar a abordagem social, já que parte dessa população é resistente ao atendimento”, explicou a presidente da FAS, Marcia Oleskovicz Fruet.

Entre as condições que colaboram para aumentar o número de pessoas nas ruas de Curitiba neste momento estão o novo fluxo de migração transitória de indígenas vindos do interior do Paraná para vender artesanato e o indulto de Natal da população carcerária do Estado, que deve trazer à região metropolitana cerca de 1,2 mil presidiários durante o fim do ano – quando muitos dos quais acabam se estabelecendo nas ruas da capital.

O prefeito Gustavo Fruet afirmou já ter entrado em contato com representantes do Governo do Estado e da Funai para encontrar soluções conjuntas. No início do ano, a Prefeitura de Curitiba inaugurou a Casa de Passagem Indígena e, desde então, tem arcado sozinha com a manutenção do espaço, que tem capacidade de abrigamento de até 70 pessoas. Somente na última semana, a FAS registrou a chegada de 166 indígenas a Curitiba.

Outra ação estabelecida na reunião foi a abertura de banheiros de equipamentos públicos, inicialmente os do Terminal Guadalupe, no Centro, para utilização pela população de rua. “Sabemos que o uso inadequado de locais para higiene é uma das maiores reclamações da população a respeito dos moradores de rua. Com essa medida, damos um passo importante na qualificação do atendimento social e atendemos um pedido antigo dos moradores e comerciantes da região”, disse a diretora de Proteção Social Especial da FAS, Angela Mendonça.