FAS apresenta política para pessoas em situação de rua para comerciantes

Uma equipe da Fundação de Ação Social (FAS) se reuniu nesta sexta-feira (29) com representantes da Associação Comercial do Paraná (ACP) e apresentou as políticas públicas para o atendimento da população em situação de rua de Curitiba. A reunião foi organizada pelo Conselho Comunitário de Segurança da Área Central de Curitiba e contou com a presença de representantes do Poder Judiciário, Ministério Público e segurança pública.

?Este é um problema social que atinge cidades do mundo todo e nenhum lugar até agora conseguiu resolver efetivamente a questão, pois, infelizmente, não existe uma solução pronta para isso. Mesmo assim, estamos sendo incansáveis na busca de estratégias e alternativas para promover o resgate da autonomia dessas pessoas?, disse a presidente da FAS, Marcia Oleskovicz Fruet.

Marcia Fruet lembrou que desde 2013 houve um aumento de mais de 80% no número de vagas de acolhimento em Curitiba, passando de 615 para 1115 vagas. Tais vagas ainda podem ser ampliadas em casos de emergência, como ocorre durante o inverno, o que permitiu que, desde 2013, nenhuma pessoa morresse em decorrência de hipotermia nas ruas da cidade. Além disso, até 2012 existia um único albergue na cidade, que tinha sua capacidade esgotada e que apresentava sérios riscos para a saúde e segurança dos servidores públicos e usuários.

Curitiba foi uma das primeiras cidades do país a aderir à Política Nacional para o Atendimento à População de Rua, em 2013, promovendo o reordenamento dos serviços de atendimento a esse público. ?Para garantir um atendimento mais eficaz, humano e individualizado, era necessário espaços mais adequados, com menos pessoas por unidade. Por isso, abrimos oito novos espaços próprios, que atendem públicos diferentes. E não houve redução no número de vagas de acolhimento. Ao contrário, ampliamos os atendimentos e qualificamos o serviço?, afirmou a presidente da FAS.

Entre os novos espaços estão unidades inéditas no país, como o Condomínio Social, a Casa de Passagem Feminina e LBT e a Casa de Passagem Indígena. Além das unidades oficiais da Prefeitura, há outras nove instituições sociais conveniadas que prestam o serviço de acolhimento e albergagem em Curitiba.

?Se existe uma coisa que podemos afirmar com toda a certeza é que não é a retirada à força dessas pessoas das ruas que irá resolver este problema social. Mesmo porque a maior parte das pessoas que hoje estão nas ruas é de outras cidades do Paraná e de outros estados?, salientou Marcia. Somente em 2015, a Prefeitura de Curitiba custeou com recursos próprios 8.670 passagens de retorno a pessoas em situação de rua ou de vulnerabilidade social para diferentes cidades do país.

 

Novas estratégias

Durante a reunião, a FAS também apresentou as novas estratégias que serão adotadas ainda no primeiro semestre de 2016. Além do Atendimento Social Avançado (ASA), instalado no antigo módulo policial na Praça Osório, no Centro de Curitiba, onde educadores e assistentes sociais percorrem a pé a região central no trabalho de abordagem, a FAS iniciou o cadastro de pessoas em situação de rua para uso de banheiros da Urbs em vários locais do Centro. Também fará a instalação de um guarda-volumes próximo ao terminal Guadalupe, para armazenagem de utensílios de uso pessoal dos moradores de rua, minimizando o abandono desses materiais em vias públicas.

?O objetivo é criar serviços que tragam mais dignidade para essas pessoas e permitam que a convivência nos espaços públicos aconteça de maneira harmônica, entre moradores de rua, comerciantes e transeuntes. São medidas que funcionarão em caráter de testes e o trabalho para vinculação dessas pessoas em espaços de atendimento vai continuar?, completou.

 

Próximas reuniões

Durante o encontro, a FAS convidou todos os participantes da reunião a conhecer as unidades de atendimento à população de rua que funcionam em Curitiba. Também foi sugerida a criação de um protocolo de atendimento integrado que reforce o papel de cada órgão na atenção à pessoa em situação de rua.

 

Orientações para a população

Embora o gesto de doar roupas, cobertores, alimentos e outros itens aos moradores de rua seja de solidariedade, a FAS não aconselha que isto seja feito de maneira direta a quem está nas ruas. A atitude fortalece o vínculo da pessoa com a rua e dificulta o trabalho das equipes de abordagem social, uma vez que muitos moradores de rua recusam o serviço público por terem suas necessidades atendidas no local. Pessoas e grupos que queiram fazer doações ou trabalho voluntário com a população de rua podem procurar a equipe de Proteção Social Especial da FAS, pelo telefone (41) 3350-3500.

Além disso, qualquer cidadão pode solicitar a abordagem social para pessoas que se encontram nas vias públicas da cidade através da Central 156. O chamado é encaminhado para a Central de Abordagem Social 24 horas, que envia uma equipe de atendimento até o local informado e convida o morador de rua a aceitar o atendimento. A Prefeitura de Curitiba recebe cerca de 50 solicitações de abordagem diariamente. Todas são atendidas e o resultado é informado por telefone ou e-mail pela Central 156 ao solicitante do serviço.