Unidade para atendimento de idosos em situação de rua é aberta em Curitiba

Raul Sérgio Jordão, de 61 anos, foi porteiro boa parte da vida. Nunca teve filhos e depois que sua mulher faleceu, começou a beber. Perdeu o emprego, a casa e o terreno onde morava. Foi para as ruas de Curitiba, e nem se lembra mais de quanto tempo viveu lá. “Eu me acostumei a ficar na rua. Ia pro albergue só pra dormir, mas aí comecei a envelhecer e sabia que eu precisava largar a bebida, fazer alguma coisa, mas eu já não tinha mais nada”, conta.

Raul é um dos atuais 18 moradores da Casa do Vovô, unidade da Fundação de Ação Social (FAS) inaugurada nesta quinta-feira (3), que atende idosos em situação de rua de Curitiba.

“Eu gosto de sossego. Lá [no albergue] era muita bagunça, muita gente, muita briga. Aqui eu tenho minha cama, minhas coisas. Eu que cuido da horta, com muito carinho”, orgulha-se.

Raul, assim como a maioria dos idosos atendidos na Casa do Vovô, antes pernoitava na Central de Resgate Social, fechada em 2015, e que atendia no mesmo local, havia mais de 20 anos, mulheres (inclusive gestantes), homens, transexuais, idosos, crianças, adolescentes, migrantes e indígenas.

“Quando se está na rua, tudo é incerteza. Este espaço reflete a nossa preocupação em garantir um atendimento mais adequado e humano. Antes, num espaço só, como era possível atender integralmente públicos diferentes com necessidades diferentes? A Casa do Vovô foi inteira reformulada para atender a idosos”, afirmou a presidente da FAS, Marcia Oleskovicz Fruet.

Presente na cerimônia de inauguração, o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet, lembrou que nunca se investiu tanto na área social na cidade. “Este é o maior legado que Curitiba pode receber: atendimentos humanizados e que devolvem a dignidade para quem, por algum motivo, foi parar nas ruas”, disse.

Com o reordenamento da política de atendimento à população em situação de rua, os serviços de assistência social a este público passaram a ser ofertados em novos espaços, com a atenção a grupos específicos. “Este era o nosso público mais crônico, pessoas que estavam nas ruas havia muito tempo, envelhecendo. Dentro de um único espaço era impossível atender todas as suas especificidades. Doenças próprias da idade são agravadas pela situação de rua e era preciso esse olhar mais atento a esta população”, afirma a diretora de proteção social especial da FAS, Angela Mendonça.

A capacidade da casa é de 20 pessoas e hoje acolhe idosos com idades entre 60 e 78 anos. Como alguns precisam de cuidados específicos por estarem debilitados, a unidade conta com profissionais da saúde, cuidadores 24 horas e assistente social. O serviço é executado por meio de convênio com a Confederação Evangélica de Assistência Social do Paraná.

Novas Unidades

As equipes de Abordagem Social da FAS estimam que ainda existam 22 pessoas idosas em situação de rua (14 nas casas de passagem para a população em situação de rua e oito ainda vivendo nas ruas). A expectativa da Prefeitura de Curitiba é abrir duas unidades de atendimento exclusivo a idosos ainda em 2016.