Realizada IV Conferência Municipal de Políticas sobre Drogas de Curitiba

Começou nesta sexta-feira (24) a 4.ª Conferência Municipal de Política Sobre Drogas de Curitiba, com o objetivo de ampliar o debate sobre as ações relativas ao assunto entre os mais diversos segmentos da sociedade. O evento, que termina no sábado (25), reúne cerca de 300 pessoas no campus da Universidade Federal do Paraná (UFPR) no Jardim Botânico. No primeiro dia da conferência, o médico sanitarista e ex-ministro da Saúde Arthur Chioro participou de um debate sobre o papel do poder público nas ações de enfrentamento às drogas.

Além do debate com Chioro, participaram da mesa de abertura a promotora Cristina Ruaro, coordenadora do Projeto Semear; o psiquiatra e professor da Universidade de Campinas Luiz Fernando Tófoli e o diretor da Associação Brasileira de Saúde Mental e presidente da Ecosol, Leonardo Pinho.

A conferência é uma iniciativa do Conselho Municipal de Políticas Sobre Drogas de Curitiba (Comped) em parceria com a Prefeitura. O evento acontece a cada dois anos e é uma forma de estimular a sociedade civil a participar da gestão, com a formulação e votação de propostas. Estão participando do evento entidades de classe, movimento de população de rua, lideranças de movimentos sociais, entidades religiosas, movimentos de populações jovens, representantes do poder legislativo e judiciário.

“A terceira conferência apontou para a necessidade de participação de representações mais amplas da sociedade e, a partir disso, realizamos uma ampla mobilização e debates com diferentes grupos da sociedade civil”, disse o diretor do Departamento de Política Sobre Drogas da Secretaria da Saúde de Curitiba, Marcelo Kimati.

De acordo com o diretor, a conferência municipal ocorre num contexto de intenso debate sobre diversos temas referentes ao fenômeno do uso de drogas, como a descriminalização do uso, as políticas assistenciais existentes, a forma de financiamento de entidades privadas, a adoção de políticas de tratamento compulsório, além do financiamento e a sustentabilidade da rede de atenção à saúde e assistência.

Kimati destacou as ações que vêm sendo desenvolvidas pela Prefeitura de Curitiba para o enfrentamento das drogas, problema que deixou de ser visto exclusivamente pela ótica da segurança pública para ser tratados com o viés da assistência e da saúde pública. “É um assunto que envolve diversos setores e, por isso, precisa ser discutido em todas as instâncias governamentais e pela comunidade”.

Arthur Chioro, que fez uma palestra prévia à conferência, fez uma análise da atuação dos profissionais da saúde no tratamento de dependentes químicos e destacou a ineficiência de ações que não têm a adesão voluntária do usuário de álcool e outras drogas, como é o caso do internamento compulsório. “O que dá resultado é o trabalho coordenado da equipe de saúde, com ações individualizadas para cada paciente. A política de cuidado a usuários de álcool e drogas no país deve seguir os princípios da reforma psiquiátrica.  Isto quer dizer, obedecer a complexidade do fenômeno, ter como referência a singularidade dos projetos e tratar em liberdade”, salientou.

Chioro também destacou o papel do SUS no tratamento de pessoas marginalizadas e que, muitas vezes, apresentam problemas de dependência química: “Toda vida vale a pena”, enfatizou, referindo-se diretamente ao tratamento de pessoas em situação de rua e de vulnerabilidade social.